Donzela: crítica do filme de Mille Bobby-Brown na Netflix

No título original Damsel, em português Donzela. Este é o novo filme da atriz Mille Bobby-Brown pela Netflix. Famosa pela série Stranger Things, desta vez, o monstro que a jovem enfrenta não é do mundo invertido, mas uma dragoa que vive em uma caverna.

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O texto não está errado é uma dragoa, feminino de dragão pelo dicionário Houais. No filme, um rei invade uma caverna onde essa fera vive e mata seus filhotes. Para não ser morto, ele promete entregar três filhas da sua linhagem para sacrifício. Assim de geração em geração, três jovens são enviadas para a caverna.

A personagem de Mille Bobby-Brown é Elodie. A jovem é uma princesa de um reino distante. Como o lugar é pobre e estéril, seu pai aceita casá-la com o descendente do reino onde vive o monstro. Sem ter ideia do risco que correm, a família chega ao novo lar de Elodie, que se encanta com o palácio, os jardins e as joias.

Depois do casamento, Elodie e o noivo vão para o alto de uma montanha participar de uma cerimônia reservada. Lá a jovem é jogada em um imenso buraco onde é o covil da fera. Desesperada e sem entender o que se passa, ela precisa ser ágil e buscar uma maneira de sair dali.

O filme hasteia de forma visível a bandeira do feminismo. A primeira frase da personagem, nas cenas inicias, é que naquela história ela não é a donzela em perigo. A tenacidade para escapar do monstro deixa isso evidente. À medida que foge, o vestido usado na cerimônia do casamento se desfaz. Com ele, a ingenuidade da personagem também. No seu lugar, surge uma improvável habilidade para usar espadas, correr, esgueirar-se entre pedras e dar longos saltos.

Elodie encontra uma caverna onde a dragoa não consegue entrar. Lá entende parte da história e compreende que muito antes dela, outras garotas também foram perseguidas e mortas. Suas marcas estão nas paredes. É um discurso de ancestralidade que impulsiona a personagem a buscar meios de escapar com vida.

O enredo do filme tem alguma dificuldade em manter o estado de tensão no espectador. A necessidade de explicar os meandros da história faz com que parte do ritmo se torne mais lento em alguns instantes.

No final, o filme ainda faz uma redenção da fera que entende que foi enganada pelo rei, assim como Elodie e a sua família. A trama usa um conjunto de métaforas para tratar de temas como maternagem, sororidade e ancestralidade. Mas para funcionar com mais propriedade, o preâmbulo da história deveria ser mais amplo para colocar cada personagem em seu próprio contexto.

Avaliação de Donzela

Donzela recebeu nota 6,2 de 10 no IMDB. Já no Rotten Tomatoes, a avaliação de Donzela é de 58%. No Metacritic, a média da imprensa especializada é 46 de 100. A Variety elogia a atuação da estrela de Stranger Things neste papel. Por outro lado, várias publicações criticaram o filme, como a ABC News: “Millie Bobby Brown trava uma batalha heróica como uma princesa noiva contra um dragão digital, mas não é a donzela, mas o público que sofrerá angústia com a repetição ininterrupta e entorpecente que torna este filme da Netflix monótono e sombrio rápido demais”.

Sinceramente, acho que as críticas não levam em conta que o filme tem como destino o público infantojuvenil. E, muitas vezes, quem analisa espera que a obra seja feita para eles. Se considerarmos, este público jovem, Donzela tem seus méritos. Um deles é a própria atuação da protagonista. O outro é tratar de temas relevantes com metáforas bem elaboradas. As cenas de lutas poderiam ter uma coreografia mais aprimorada e o roteiro precisava de mais tempo para desenvolver os personagens. Mas vale o entretenimento. A minha nota é 3 de 5.

Elenco de Donzela

  1. Millie Bobby Brown: Princesa Elodie.
  2. Nick Robinson: Príncipe Henry.
  3. Angela Bassett: Lady Bayford.
  4. Ray Winstone: Lord Bayford.
  5. Robin Wright: Rainha Isabelle
  6. Diretor: Juan Carlos Fresnadillo

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